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Treinamento na Serra do Curral

17/12/2007

Neste final de semana fizemos os treinamentos separados novamente. No sábado, eu e Maduro fomos à Serra do Curral  e resolvemos treinar correndo. Paramos o carro na Praça do Papa e já iniciamos nossa corrida de lá. Logo no início da serra, o “bicho pegou”. È muito legal: você começa correndo todo animado, a inclinação vai aumentando e rapidamente suas pernas vão endurecendo e ardendo até que é obrigado a andar. Anda um pouquinho, marca outro ponto até onde você acha que é possível correr, e vai até conseguir, ou até ter a mesma sensação novamente. E assim por diante, até chegar no topo.  Que delícia! Seguimos então correndo “por cima”, num terreno totalmente irregular, beirando os abismos. O cuidado foi grande, pra não torcermos os tornozelos e joelhos. Corremos apenas uma hora, já que vínhamos treinando forte desde a quarta feira.

No domingo, fui com o Maguinho ao mesmo local, só que desta vez pra caminharmos com as mochilas bem pesadas. Fizemos o trajeto de ida e volta em duas horas. Além da atividade física, aproveitamos pra colocar vários detalhes em dia, o que tornou o final de semana bem “produtivo”.

O Carlão está em Belém, a trabalho, gerenciando um projeto de sua empresa. Conforme ele mesmo já disse, uma das dificuldades é justamente esta, conciliar vida pessoal, trabalho e treinos…

Faltam apenas 10 dias.

Márcio

Caraça

11/12/2007

Caraça 1 Caraça 2 Caraça 3

No último final de semana fomos ao Caraça, dar continuidade aos nossos treinos. Acordamos às 5, saímos de BH às 7, chegamos  às 9 e começamos nossa caminhada às 10. O destino de sábado foi o Pico do Sol. A caminhada até lá é relativamente tranqüila, sendo que devido à chuva, tivemos que ser um pouco mais cautelosos para evitar possíveis “tombos”. O visual é deslumbrante. Chegamos de volta às 19h30min. Não deu tempo nem de tomar banho, pois este era o horário limite para o jantar. Jantamos, tomamos banho, compramos uma garrafa de vinho, e tentamos esperar pelos lobos, mas não foi possível. Havíamos caminhado durante nove horas, na chuva, num desnível de 800m. O sono “bateu forte” e desmaiamos. No domingo, acordamos às 06h30min, tomamos café e partimos rumo ao Canjerana. Desta vez a caminhada foi de apenas 6 horas, com um desnível aproximado de 700m. Novamente uma maravilhosa paisagem. O alto-astral e as risadas foram a marca registrada do final de semana. Eu, Maguinho, André, Acácia e Marcelo, todos da equipe que vai tentar o Ojos, ficamos bem otimistas principalmente devido aos “joelhos”, que foram muito bem neste teste. O Carlão e o Maduro tiveram que realizar os treinos por aqui mesmo, na Serra do Curral, devido a vários compromissos. A empolgação já toma conta de todos. Faltam apenas duas semanas!

Márcio

Enquanto a turma acima andava pelo Caraça, eu e Maduro fizemos uma caminhada de apenas 2h30min pela Serra do Curral com uns 20kg nas costas.

Nem sempre está sendo possível fazer os treinamentos ideias todos os fins-de-semana como havíamos planejado. Cada um tem a sua vida particular e profissional pra conciliar. Quando juntamos todos é uma alegria só. Tomara que dê tudo certo e nosso encontro no Ojos seja uma realidade.

As duas expedições estão com cronogramas distintos. Mas por volta do dia 16/01/2008 vamos nos encontrar em Santiago e vamos rumo ao Atacama escalar o Ojos juntos. Eu e Márcio estaremos voltando do Aconcágua e Acácia, Andrezão, Maduro, Maguinho e Marcelo estarão voltando do Cerro Plata também na Argentina. Depois do Ojos, eu e Marcio voltaremos ao Brasil e eles partirão para mais uma montanha. Essa turma é muito animada.

No domingo eu montei a minha nova barraca. Feita especialmente para alta montanha onde vai manter a temperatura interna mais aquecida e aguentar as fortes ventanias. Não procurei o manual direito e acabei procurando a manual na internet. Ficava correndo do computador para a varanda e entendendo cada encaixe e amarra da barraca. O Space, meu cão, não devia estar entendendo nada… Mas está perfeita.

Barraca 1 Barraca 2

Carlão

O treinamento

13/11/2007

O grande desafio da escalada em altitude é vencer os “desconfortos” proporcionados pelas montanhas. O mais conhecido deles é o ar rarefeito. Devido a este “fenômeno”, percorrer simples 100 metros pode ser uma tarefa para várias horas. Outro desafio é o frio intenso. Quando estamos em temperaturas em torno de 25° negativos, as tarefas comuns ao nosso dia a dia tornam-se bem desafiadoras, como: derreter gelo para se obter água, fazer as necessidades (principalmente se for no meio da noite), tomar banho, dormir, comer, caminhar parando de 10 em 10 passos (às vezes menos)… Talvez o maior desafio de todos seja o de ficar lúcido, para tomar as decisões corretas e minimizar os problemas. Estar sempre atento é fundamental. O simples esquecimento de uma lanterna, ou um fósforo, pode por fim a um ano inteiro de preparativos.

Para vencer todos estes desafios e desconfortos, uma excelente preparação física e mental deve ser realizada. O treinamento físico é realizado através de exercícios aeróbios (corrida, spinning, natação…), musculação, para fortalecimento da estrutura corporal e muitas caminhadas com mochilas pesadas, que é o treinamento mais específico. Como um dos maiores desafios nas montanhas, é conseguir subir com toda a carga e montar os acampamentos cada vez mais altos, é fundamental que o organismo esteja preparado pra este tipo de trabalho específico.

Para treinar a mente, como não temos gelo no Brasil, realizamos caminhadas longas de 1,2, 3 dias, em terrenos “complicados”, aonde temos a oportunidade de testar nossa paciência, capacidade de aceitar os colegas, espírito de equipe… Não é fácil você andar 20 horas seguidas, ficar com os pés molhados, louco para chegar e perceber que algum colega está lento, treinou pouco e está “atrapalhando” a expedição. Por isto, situações cheias de adversidades são muito importantes para “testar” as equipes.

Este ano começamos nosso treinamento com a travessia da Serra Fina. Esta caminhada é realizada normalmente em três dias. Começa na cidade de Itamonte e vai até Passa Quatro, no sul de Minas. É realizada por cima das cristas das montanhas e tem muita subida, descida, brejo, mato, bambuzinho irritante que agarra nas mochilas… Fizemos em 20 horas ininterruptas e apesar das “erradas”, dores nos joelhos, cansaço… Foi um sucesso.

Márcio