O treinamento

By carlaobrasil

O grande desafio da escalada em altitude é vencer os “desconfortos” proporcionados pelas montanhas. O mais conhecido deles é o ar rarefeito. Devido a este “fenômeno”, percorrer simples 100 metros pode ser uma tarefa para várias horas. Outro desafio é o frio intenso. Quando estamos em temperaturas em torno de 25° negativos, as tarefas comuns ao nosso dia a dia tornam-se bem desafiadoras, como: derreter gelo para se obter água, fazer as necessidades (principalmente se for no meio da noite), tomar banho, dormir, comer, caminhar parando de 10 em 10 passos (às vezes menos)… Talvez o maior desafio de todos seja o de ficar lúcido, para tomar as decisões corretas e minimizar os problemas. Estar sempre atento é fundamental. O simples esquecimento de uma lanterna, ou um fósforo, pode por fim a um ano inteiro de preparativos.

Para vencer todos estes desafios e desconfortos, uma excelente preparação física e mental deve ser realizada. O treinamento físico é realizado através de exercícios aeróbios (corrida, spinning, natação…), musculação, para fortalecimento da estrutura corporal e muitas caminhadas com mochilas pesadas, que é o treinamento mais específico. Como um dos maiores desafios nas montanhas, é conseguir subir com toda a carga e montar os acampamentos cada vez mais altos, é fundamental que o organismo esteja preparado pra este tipo de trabalho específico.

Para treinar a mente, como não temos gelo no Brasil, realizamos caminhadas longas de 1,2, 3 dias, em terrenos “complicados”, aonde temos a oportunidade de testar nossa paciência, capacidade de aceitar os colegas, espírito de equipe… Não é fácil você andar 20 horas seguidas, ficar com os pés molhados, louco para chegar e perceber que algum colega está lento, treinou pouco e está “atrapalhando” a expedição. Por isto, situações cheias de adversidades são muito importantes para “testar” as equipes.

Este ano começamos nosso treinamento com a travessia da Serra Fina. Esta caminhada é realizada normalmente em três dias. Começa na cidade de Itamonte e vai até Passa Quatro, no sul de Minas. É realizada por cima das cristas das montanhas e tem muita subida, descida, brejo, mato, bambuzinho irritante que agarra nas mochilas… Fizemos em 20 horas ininterruptas e apesar das “erradas”, dores nos joelhos, cansaço… Foi um sucesso.

Márcio

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